O tempo corre mais depressa do que percebemos, mas talvez uma das boas bênçãos da vida seja o passar consistente e silencioso do tempo. Ele vai transpondo nossa existência e nem sempre nos damos conta disso, pois podemos estar acometidos de uma falsa sensação de segurança, acreditando ter mais tempo do que precisamos para alcançar. Com frequência, somos levados pelo desejo de ter agora as coisas que desejamos.
Aí nos encontramos ansiosos pelas coisas que queremos na vida e que parecem, na ocasião, importantíssimas.
A falta de paciência e a ausência de autocontrole são, talvez, a maior razão pela qual as coisas não sejam conseguidas como almejamos. “Com paciência – diz um provérbio chinês – uma folha de cerejeira se torna um vestido de seda”.
O tempo é um dos fatores mais misteriosos de nossa vida, mas cheio de mudanças. Quando estamos felizes e nos divertindo, ele parece fugir. Quando estamos infelizes ou solitários, o tempo parece quase arrastar-se, segundo por segundo.
Sempre acharemos, porém, que o tempo é bom para nós quando formos bons para o tempo. Temos de utilizá-lo para a realização de coisas importantes, derivadas das metas que estabelecemos, dos hábitos que formamos e amizades que cultivamos.
Nem sempre é possível controlar integralmente nosso tempo. Existem momentos inevitáveis e longos, quando temos de levar notícias tristes, quando estamos separados do que estimamos ou quando planos importantes são colocados de lado. Mas mesmo esses momentos podem ter importância se formos bons para o tempo. Há tempo melhor do que aquele em que se lê um bom livro ou se conversa com Deus?
Inevitavelmente, o tempo também voa. Para alguns, ele simplesmente desaparece sem deixar vestígios. Para outros, quando ele se vai, permanecem monumentos.
Antônio Francisco Bohn


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